Criança não trabalha, criança dá trabalho

Sabe aquela história de filhos criados, trabalho dobrado?

Pois é, ela é verdadeira.

Meu Miguel acabou de fazer 1 ano e nove meses.
Se antes ele era totalmente dependente de mim, agora, já ensaia (ensaia não, estreia) sua independência.

Com 1 aninho ele já andava, mas apoiado nos outros.
Com um ano e um mês ele passou a dar os primeiros passos sozinho.
Com um ano e três meses ele corria pela casa.
Hoje, ele corre, sobe, chuta a bola e cai.
Mas logo se levanta e quase não chora.
Costumo dizer que ele é um valente.

Quando a criança começa a andar um mundo todo novo se abre para ela. E para os pais também.
Há quem diga que o melhor é tirar todos os obstáculos, objetos e decorações do alcance do pequeno.
Eu e o Diego, meu marido, optamos por não tirar nada do lugar.

Bom, é  claro que a ideia inicial era não tirar nada, nadinha mesmo de seu "habitat", mas é claro que isso não é 100% possível.
Existem alguns objetos que chamam mais  a atenção do meu pequeno grande homem: uma miniatura de um ônibus inglês que ganhamos de um casal querido de amigos; as minhas maquiagens que ficavam em um lugar baixo no banheiro e  a gaveta de documentos no nosso quarto são os alvos prediletos do Miguel.
Mas, no geral, pouca coisa saiu de seu lugar de origem.

Ontem a minha irmã, a "Tia Lú", resolveu incrementar a decoração de Natal.
Do chão da minha sala brotaram Renas, Papais-Noéis, Duendes... tudo lindo e encantador.
Claro que isso foi feito enquanto meu pequenino estava passeando, quando ele chegou, ficou tão maravilhado que queria agarrar todos os bichinhos de uma vez e levá-los ao chão.

E aí, dá-lhe explicação e bronca.
A dinâmica lá em casa é simples: a frase "Se não é seu não mexa" é repetida a exaustão, umas 50 vezes (não, não é exagero) por dia.
O resultado demora, mas aparece e é um barato ver que a criança já sabe que não pode mexer.
O Miguel agora me imita, levanta o dedinho e faz: nãnãnã...

Seria mais fácil tirar todos os objetos do alcance dele e alguns, por questão de segurança nós tiramos, claro.
Mas achamos que ensiná-lo a respeitar limites seria melhor, até porque quando vamos à casa dos outros não posso pedir que tirem tudo do alcance do Miguel.

Devo admitir: dá trabalho, muito trabalho.
A uma certa altura do campeonato pais e mães se tornam papagaios: repetem e repetem e repetem incessantemente os mantras da época.
Os meus atuais são: se não é seu não mexa (e acho que esse será por muitos anos) e não grite, já que toda criança (de acordo com o senhor Google) passa por uma fase "gritona" e ele se encontra nela.

É, educar é difícil  e às vezes eu entendo porque tem tanta criança malcriada por aí.
Imagina depois de um dia inteiro de trabalho ou de cuidados com o filho (que é mais trabalhoso do que o trabalho) você ter que disciplinar, ensinar e repetir sem parar as mesmas coisas?

Tem gente que não aguenta não...
Claro que também tem muita gente que não está nem aí, mas ser pai e mãe, no sentido completo da palavra não é fácil.

Aqueles que não desistem do desafio, como eu tento não desistir, meus parabéns.
Os frutos aparecem, podem ter certeza.
Hoje o Miguel quando está bravo vai para o canto da parede (sozinho), solta uns gritinhos ou chora um pouco.
Claro que eu deixo, afinal, se às vezes até eu tenho vontade de chorar e gritar ( e até bater em algumas pessoas) porque não ele que está aprendendo a controlar seus impulsos?

No entanto, logo depois ele vem  com os olhinhos meio apertados e um bico lindo, chega perto de mim ou do pai e dá um beijinho que faz todo o esforço valer a pena.

Aliás, ele sempre faz, tudo, uma vida inteira, valer a pena.







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