Faça com que seu marido também cuide do seu filho (a). Os dois vão lhe agradecer no futuro.

Nada estreita mais o vínculo do que o cuidado.
Quando um bebê nasce existe a máxima de que  a única pessoa da qual ele precisa é a mãe.
Essa máxima é perigosa e pode trazer sérios problemas para a família.

Não há como negar que a mãe é a principal protagonista da vida do bebê, pelo menos nos primeiros meses. Se a amamentação no peito é exclusiva, mais do que protagonista ela é imprescindível.
Mesmo assim não podemos esquecer que, via de regra, essa fofura que dorme placidamente (ou nem tanto) nos braços de uma mulher exausta e feliz também tem um pai.

Que essa mãe também tem necessidades, desejos, vontades, cansaço, sede e fome.

Durante séculos aprendemos que cuidar da "prole" é obrigação e vocação do sexo feminino. Trocar fralda? Dar banho? Fazer uma mamadeira?
Isso é visto como coisa de mulher. Há alguns anos o pai só entrava na história quando a criança já conseguia brincar, jogar bola ou passear.
Papais mais participativos até ajudavam com outros afazeres como lavar a louça e as mamadeiras do bebê, fazer supermercado e olhar o pequeno quando a mãe precisava sair ou tomar um banho de cinco minutos.

Mas, aos poucos esse comportamento tem mudado. Mais do que isso, ele PRECISA mudar.

Quando o Miguel nasceu os primeiros dias foram muito, muito difíceis. Eu, acostumada a ter minha liberdade total, a sair sem dar satisfação e a fazer o que quisesse estava "de quarentena".

Sol só de manhã e no final da tarde. Passeios só em locais abertos e mesmo assim, muito rápidos.
Após quase um mês minha primeira ida ao shopping foi para comprar sapatos. De salto, claro.

Nesse período, talvez por parecer a saída mais lógica eu assumi quase que completamente sozinha os cuidados com o Miguel. Ele não mamava mais só no peito porque tive pouco leite e entrei com o complemento aos 13 dias de vida dele, mas minhas rotinas diária e noturna giravam em torno de suas necessidades.

Eu estava conhecendo meu filho e ele a mim.
Tive sorte, porque o Miguel, depois que parou de passar fome (tadinho) mostrou-se um anjo.
Com um mês dormia seis horas por noite e quatro à tarde, fora os cochilos da manhã.
Com dois meses ele passou a dormir sete horas por noite e com três, de oito a nove horas.
Eu estava no céu!

Só que mesmo assim os cuidados com um recém nascido são exaustivos.
Meu marido ficou em casa nos primeiros cinco dias, mas logo voltou ao escritório. Como ele é um dos sócios da empresa acaba trabalhando bastante e chegava em casa depois das sete, horário em que praticamente tudo já havia sido feito com o neném.

Talvez por receio de não saber como agir ou de fazer algo errado ele se retraía nos cuidados com o nosso bebê.

Ajudava de outras formas, claro, como fazendo as compras, preparando o chazinho que o Miguel tomava, mas no começo, pôr a "mão na massa" era coisa que só eu fazia.

Depois de algumas conversas e até alguns "pitis" meus, o Diego passou a participar da rotina de cuidados.

Dava banho (do jeito dele, claro), trocava a fralda (do jeito dele), colocava para dormir (do jeito dele...). E não é que esse jeito deu super certo? Depois de pouquíssimo tempo ele passou a ganhar sorrisos frequentes, afagos, risadinhas.

Quando acabou a minha licença eu saí da emissora em que estava e fui dar aula em uma universidade à noite, duas vezes por semana. Quase sempre o Di chegava em casa mais cedo para ficar com o Miguel.

Para dormir ele colocava o menino  no colo, bem grudadinho em sua camiseta de ficar em casa e o nosso baby adormecia sentindo o cheirinho do pai. Hoje, com quase três anos o Miguel só dorme agarrado a uma camiseta que o Diego tenha usado pelo menos umas duas vezes.

Claro que muita gente "torcia o nariz" para o fato de eu, uma quase megera, "obrigar" meu pobre marido a cuidar do nosso filho. Mas como nunca demos muita importância para a torcida, nossa dinâmica de casal continuou muito bem, obrigada.

Um belo dia, quando estávamos conversando o Diego me agradeceu por tê-lo feito realmente cuidar do nosso filho. Lembro-me que fiquei emocionada, mas, claro, segurei a onda, porque eu tenho que manter a minha fama de má...

Hoje tenho a certeza de que, para o Miguel o pai e eu somos a extensão um do outro. Ele nos ama muito e nos quer por perto sempre. Quando eu não posso estar  com ele por força do trabalho, o Diego me "representa". Eu digo ao Miguel, quando não posso ficar com ele em um final de semana, por exemplo, que o domingo é o "Dia dos meninos". Ele sorri e fala que vai passear com o pai de bicicleta.

Quis dar ao meu filho o melhor presente que uma mãe pode dar e que a maioria das crianças não tem: um pai amigo, companheiro, participativo.

O Diego conhece o sono do Miguel, suas manhas, seus caprichos, suas preferências...
O que pode ser mais mágico do que isso?

O que pode ser melhor do que ter um PAI com letras maiúsculas?

Sem contar que eu também ganho meu bônus, afinal tudo o que é dividido é mais fácil e até sobra tempo, de vez em quando,  pra fazer a unha e comprar um sapatinho (de salto, claro)...



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