Lições que o Miguel me ensinou
Este aí embaixo na foto é o Miguel o motivo deste blog ter sido criado.
Resolvi escrever um blog dedicado apenas às minhas experiências depois de ser mãe porque esse menininho mudou minha vida, assim como acredito que a grande maioria dos filhos muda a vida de suas mães.
Com ele aprendi muitas coisas, muitas mais do que ele aprendeu comigo tenho certeza e este post é para registrar apenas algumas delas.
Coisas que o Miguel me ensinou ainda na barriga:
Que é possível sentir a personalidade do seu bebê mesmo quando ele ainda é do tamanho de um grão de feijão. Para quem, assim como eu acredita na espiritualidade, eu diria que dá para sentir a essência daquela alma.
Que nem todo bebê causa muito enjoo, alguns causam muita azia.
Que todo bebê (isso eu perguntei para outras mães) adora chutar uma costela.
Que grávida não tem dignidade. É um aperta daqui, mexe dali, banheiro toda hora, cansaço inigualável...
Que eu tenho limites e que esses limites precisam ser respeitados por mim e pelos outros.
Que eu tenho o direito de reclamar, xingar e até gritar quando estiver muito frustrada, cansada, irritada ou com dor.
Que ninguém tem nada a ver com a forma como eu vou parir.
Que ter um filho exige entrega, responsabilidade e acima de tudo muita coragem.
Que ter um filho é tudo, menos fácil.
Mas foi quando esse pedacinho de céu nasceu é que eu aprendi as maiores lições:
Que às vezes, a cesária é a melhor opção.
Aprendi que muitas vezes não estamos tão preparados para ser pai e mãe como imaginávamos.
Que o casamento só sobrevive (e renasce) após o nascimento de uma criança se os dois se empenharem, se ajudarem, cooperarem e se amarem muito, acima de tudo.
Que você vai ter vontade de matar o seu marido algumas vezes (ou muitas vezes) e tudo bem, você é forte e consegue resistir à tentação de sufocá-lo à noite com um travesseiro.
Que você vai ter muita, muita vontade de matar toda e qualquer pessoa que não seja extremamente próxima e tente dar conselhos sobre amamentação, criação de filhos, fraldas, pomadas, choro, etc...
Que não se deve comparar bebês ou mães. Não tem nada mais irritante do que uma pessoa falando "Nossa, já está na mamadeira? Eu amamentei até os 3 anos..."
Aprendi que às vezes a paixão entre mãe e filho (a) não acontece de forma fulminante na hora do parto. Mas calma, vocês estão se conhecendo e um belo dia (para mim foi no 13º dia) ele (a) vai olhar pra você e vocês vão simplesmente se reconhecer, se reencontrar. Esse é o momento em que nos transformamos em mães verdadeiramente.
Que cada bebê precisa de um tipo de mãe e que o seu precisa, não da melhor mãe do mundo, mas da melhor mãe que você possa ser.
Que o melhor presente que podemos dar aos nossos filhos é uma mãe (e um pai também) equilibrados. Se para conseguir esse equilíbrio é necessário aderir à mamadeira, alternar as vezes em que cada um acorda ou gritar sozinha no banheiro, OK.
Que a primeira vez que você conseguir fazer as unhas depois que seu neném nascer você vai se sentir a mulher mais linda do mundo.
Aprendi que um belo dia seu filho vai olhar para você de tal forma que você terá certeza de que é a mulher mais linda do mundo.
Aprendi que pais podem ser quase tão bons quanto as mães (demora um pouco, mas eles conseguem se quiserem).
Aprendi que o cheirinho do cangote do bebê deve ser o perfume do paraíso.
Que depois que você é mãe tem certeza absoluta da existência de Deus.
Que o mundo nunca mais será um lugar triste ou feio enquanto seu filho (a) estiver nele.
Que você vai se pegar cantando todas as músicas infantis que jurou nunca cantar. E vai gostar delas.
Aprendi que é um privilégio, apesar de todo o cansaço, toda a apreensão, toda a falta de tempo e de sono, encaminhar uma criança, ensinar os primeiros passos, as primeiras palavras, mostrar aquilo que você já conhece tão bem, mas que para aquele pequeno ser humano é uma grande novidade.
Aprendi que a vida com uma criança é sempre uma aventura.
Que você vai carregar mais malas do que achou possível conseguir.
Que não vai ter tempo de ir para a academia tão cedo (e nem vai precisar, ser mãe é uma ginástica).
Aprendi que meu primeiro nome não é mais "Paula". É "mamãe" e tudo bem, eu adoro.
Aprendi que ouvir meu Miguel me chamando de mamãe é o melhor som do mundo.
Que entre o nascimento do seu filho (a) e você voltar a esboçar alguma aparência normal leva um tempo. E tudo bem também. Esse é o tempo da transformação de quem você era em quem você vai ser pelo resto da sua vida.
Que você jamais vai sentir tanto medo por coisas tão bobas como um pequeno corte, um tombo ou uma febre e que você jamais será tão valente para defender aquele (a) que é a razão da sua vida.
Que você pode aguentar algumas noites sem dormir.
Que você nunca mais vai dormir como antes e vai aprender a conviver com isso e até vai gostar.
Que às vezes você quer muito uma menina (ou um menino) e Deus te manda um bebê do sexo oposto. E então você descobre que aquele é o bebê perfeito pra você.
Aprendi que depois que uma mulher se torna mãe o choro de qualquer criança tem outro significado; a vida tem outro significado.
Aprendi a ter orgulho do meu corpo. Mesmo com suas limitações, com um pouquinho de barriga ou com uma celulite aqui e ali. Como posso não gostar daquilo que me proporcionou trazer ao mundo o meu pedacinho de céu?
Aprendi que por muito tempo eu não vou conseguir ficar sozinha. E isso é bom.
Aprendi a redescobrir o mundo para ensinar tudo ao Miguel.
Aprendi que bons pediatras deveriam ser pagos com barras de ouro, porque há muita gente de jaleco branco que não sabe o que está fazendo.
Aprendi que você pode, facilmente, matar alguém com as próprias mãos se essa pessoa ameaçar seu bebê.
Que um filho suaviza e cura seu coração de tristezas que nem mesmo você sabia que estavam lá.
Que uma criança é uma benção, não importa a circunstância e que é uma prova de que Deus ainda confia na humanidade.
Reaprendi a rezar com todo o meu coração.
E essas são apenas algumas das lições...


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